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A Educação de Papel segundo João Dias da Silva

A Educação de Papel segundo João Dias da Silva

A Educação de Papel segundo João Dias da Silva

Primeiro webinar do Canal 4 da AFIET no 1º de maio

João Dias da Silva, Secretário-Geral (SG) da FNE, que é também o Presidente da Associação Para a Formação e Investigação em Educação e Trabalho (AFIET), foi o orador convidado do primeiro webinar do Canal 4 daquela associação, que se realizou no 1º de maio deste ano, com o foco no tema da “Educação de Papel” e nos desafios atuais do setor, em tempo de pandemia. Cem professores e educadores responderam ao desafio daquele Canal de televisão online, que contou com o Vice-Presidente da AFIET e Vice-Secretário-Geral da FNE Pedro Barreiros como anfitrião.

João Dias da Silva começou por trazer para a conversa os ensinamentos que se devem retirar do contexto do Covid-19 na educação, o primeiro dos quais é que "ficou visível que não somos apenas indivíduos, mas que precisamos e dependemos uns dos outros”. O segundo ensinamento é que os serviços públicos de saúde e de educação “são indubitavelmente fundamentais na qualidade da nossa vida social", pelo que "temos de deixar bem vivo o que este momento nos está a ensinar relativamente às escolas, pois o setor educativo e os seus profissionais demonstraram à sociedade que são um elemento transformador ao nível dos relacionamentos sociais”.

Nas palavras de João Dias da Silva, com as crianças fora do ensino presencial evidenciaram-se as desigualdades que a escolas e os professores procuram atenuar. Assim, fica também sublinhado o papel insubstituível da escola presencial, uma vez que as ferramentas digitais à distância não substituem nem superam a partilha de conhecimento, de aprendizagem e de experiências educativas entre professores, professores e alunos e entre alunos entre si.

O SG da FNE levantou também a questão de "como podemos tirar partido deste tempo para corrigir, melhorar ou transformar a sociedade? Temos o futuro a bater à porta. Os professores estão a criar soluções sob pressão, com dificuldades e a fazer um trabalho extraordinário num contexto onde têm de conciliar a vertente profissional com a familiar. Os professores também têm vida pessoal. Dizer que este período tem sido esgotante, é pouco", acrescentando que algo que também o preocupa muito é a sucessão de ecrãs com que um professor vive em casa, com aulas no computador, na TV, em reuniões online ou a orientar os próprios filhos em aulas a distância, sublinhando o facto de estas novas ferramentas digitais terem trazido aos professores ainda mais trabalho.

A conversa fluiu com João Dias da Silva a defender a ideia de que é fundamental o Ministério da Educação (ME) entender que esta situação vai ter de ser interrompida, pois "os educadores e alunos têm de ter direito às suas férias e a um tempo adequado para a preparação do próximo ano letivo. É necessário reunir as condições ideais. A FNE tem apresentado propostas concretas para o regresso da atividade presencial, mas defendemos que é imprescindível que as decisões não fiquem só no ME", reforçando ainda que "é essencial que o ME procure o maior envolvimento possível das organizações sindicais na preparação do que vier a ser o regresso de todos às escolas, no próximo ano letivo".

Confiança foi uma palavra repetida várias vezes pelo orador neste Webinar, sublinhando a necessidade imperiosa de se protegerem os professores pertencentes a grupos de risco, não os expondo a aulas presenciais. Essa confiança passa ainda pela realização de testes a todos os que vão estar presentes na escola, sendo esse um dos pontos que a OCDE identificou como muito importantes, e que deve continuar a ser tida em linha de conta para o futuro, juntamente com a garantia de limpeza e desinfeção dos edifícios escolares; da avaliação da progressão, de forma a planificar as etapas seguintes do trabalho escolar; da anulação ou redução do impacto das perdas de aprendizagem, de modo a proteger os mais frágeis da repetência e, por último, da garantia do bem-estar de todos os professores e trabalhadores não docentes, pois a saúde mental e saúde física vão precisar de muito apoio no regresso à atual normalidade.

Como vai ser a escola a partir de agora?

A fechar a sua apresentação, o SG da FNE defendeu que esta é "uma oportunidade para repensar a escola. A palavra crise significa também oportunidade e devemos repensar o que podemos fazer relativamente a políticas insuficientes, a um Ministério que deixa as escolas sem recursos e que poupa nas equipas de profissionais da educação".

Repensar o perfil do aluno à saída da escola, a avaliação ou tarefas burocráticas, foram outras das linhas apontadas, com João Dias da Silva a deixar um alerta: " É verdade que as opiniões divergem. Devemos manter as tecnologias? Reforçar as tecnologias? O mais importante é, no ponto de vista da FNE, sublinhar os receios de que os meios tecnológicos podem estar a médio/longo prazo a colocar nas mãos de empresas aquilo que é o conteúdo de ensino, reduzindo a intervenção dos Estados nas políticas educativas". Para ao dirigente máximo da FNE, o ideal passa por uma via em que a sala de aula partilharia a utilização de tecnologia com o conteúdo dado pelo professor, mas para isso seria necessário o ME dotar as escolas dos equipamentos necessários.

Após a intervenção de João Dias da Silva, decorreu uma pequena sessão de respostas às várias perguntas colocadas pelos participantes, com destaque para a questão do custo dos materiais (computadores, impressoras, etc), sabendo que no Código de Trabalho está previsto que a entidade empregadora deve assumir essas despesas. Sobre essa questão, Pedro Barreiros e João Dias da Silva acrescentaram que a FNE já tinha enviado um ofício ao ME em que ficou muito claro que as despesas nesses equipamentos devem ser compensadas em sede fiscal ou através de compensação financeira, tanto para docentes, como para as famílias dos alunos.

A fechar o webinar, João Dias da Silva garantiu que a FNE vai acompanhar de perto as condições de reabertura das escolas e que vai ser interveniente no acompanhamento da realidade de cada escola, pelos seus sindicatos, para assegurar a saúde de todos, considerando que a escola é a organização que garante a atenuação da desigualdade.

A terminar, o SG da FNE sublinhou que a igualdade é fundamental para a sociedade e para o seu progresso e que a “nossa preocupação é acima de tudo a saúde e a certeza que as condições de segurança são garantidas para todos. Vamos assim cobrar ao Governo a responsabilidade de que existam todos os equipamentos necessários para segurança de cada um".

Este evento teve também transmissão em direto no Facebook da FNE.


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