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Margarida Mano em webinário da FNE/AFIET: “O espaço da escola do futuro não tem muros”

Margarida Mano em webinário da FNE/AFIET: “O espaço da escola do futuro não tem muros”

Margarida Mano em webinário da FNE/AFIET: “O espaço da escola do futuro não tem muros”

"Ainda estamos num processo, mas hoje, mais do que no ano passado, já temos mais certezas do que a escola deve ter em conta para construir o futuro". Foi desta forma que Margarida Mano, a oradora convidada do VI webinário do ciclo com ex-Ministros da Educação "Que caminhos para a escola na pós-pandemia" lançou as suas perspetivas sobre os desafios para o futuro da escola, num debate que contou com a moderação do Secretário-Geral da FNE, João Dias da Silva, e José Ricardo Coelho, Vice-Secretário-Geral da FNE.

E uma certeza Margarida Mano acentuou: "A escola respondeu bem às exigências que lhe foram colocadas. Mas é necessário aproveitar esta oportunidade para reformar, criar estratégias e perceber onde se quer chegar", acrescentando ainda que "é um ponto importante entender se queremos resolver problemas imediatos ou sermos o profeta do futuro que não nos pertence, arriscando condenar a escola pública no futuro".

Mostrando orgulho pela relação que foi construindo com a FNE ao longo dos anos, Margarida Mano considerou que a pandemia da Covid-19 trouxe à educação três aspetos positivos: primeiro um processo de aprendizagem acelerado, quase revolucionário, que afetou alunos, professores e até encarregados de educação; segundo, o facto de o poder político ter colocado o foco no ensino digital, com o alerta da oradora de que "não basta distribuir computadores e assegurar a conectividade”; e por último "a questão pedagógica, com plataformas colaborativas, projetos que ganharam novos ambientes em autoaprendizagem, sem grande estruturação dos poderes políticos”.

Mas a pandemia também trouxe aspetos negativos à Educação, a começar logo pelo défice cognitivo, aquilo que os alunos não aprenderam. Para Margarida Mano, é importante que os alunos aprendam o “essencial do que perderam”, porque a questão não se fica pelo que não aprenderam, mas também se estende a “uma consequência social para o futuro”. Porém, o que mais a preocupa é o agravamento das desigualdades sociais, como há muito não se via e “a procissão ainda vai no adro”. Este impacto das desigualdades também atingiu a escola, os contextos familiares, as tecnologias, os territórios, pois “é mais difícil combater as desigualdades à velocidade digital”.

Um terceiro aspeto negativo trazido pela pandemia foi o agravamento das fragilidades que já tínhamos. A atual Vice-reitora da Universidade Católica para a Qualidade convoca neste ponto o envelhecimento do corpo docente, as condições de trabalho dos docentes e não docentes, a precariedade e questões várias relacionadas com a demografia. Todavia, sublinha que em sua opinião “o essencial da missão da escola não mudou e continua a ser a de preparar as gerações para os desafios do futuro”.

Margarida Mano considera que temos que olhar para algumas questões sobre a escola com maior profundidade: a tecnologia é instrumental, é conhecimento aplicado. A escola vai por isso precisar da tecnologia, pois é um desígnio nacional e global: “Este fator é incontornável, até porque vamos ter a Inteligência Artificial e o 5 G nas escolas, no processo educativo. Este processo não se trava, mas temos que ver como é que ele nos pode ajudar”. A ex-Ministra da Educação sublinha que a pandemia quebrou um medo que o papel do professor pudesse ser substituído na educação. No entanto, observou-se o contrário, “porque o professor não é substituível, sobretudo na proximidade da relação com o aluno e com a aprendizagem do conhecimento. E sem conhecimento não há preparação para o futuro”.

"Olhar para o futuro tem muito que ver com o professor"

No campo da oportunidade da tecnologia, que ainda desconhecemos até que ponto, a oradora convidada da FNE relembra a transição digital, e releva sobretudo que a desigualdade no acesso pode ser fatal no futuro. Por outro lado, acentua a questão geracional, o envelhecimento na profissão docente e a importância da passagem de testemunho profissional para os professores mais jovens. Por último, frisa que os mais jovens têm que ser ouvidos e de incorporar o seu próprio saber na construção da escola do futuro.

Margarida Mano aponta três caminhos fundamentais para a escola dos próximos anos. Primeiro: “manter a acessibilidade a todos e construir um coletivo a olhar para a escola, uma vez que a sua sustentabilidade depende de uma vontade coletiva de corresponsabilização, essencial para uma educação inclusiva”. De igual modo essencial é que “com a pandemia, a escola saiu para fora dos seus muros. E o espaço da escola do futuro não tem muros, nem paredes, é muito mais que um espaço físico”.

Por isso, as prioridades são fundamentais, uma vez que a “pandemia demonstrou que olhar para o futuro tem muito que ver com os professores, com a sua capacitação útil, com o recrutamento, avaliação e valorização, com a sua capacidade de inspiração, de transmitir o conhecimento”.

No final, e socorrendo-se do “Relatório de Riscos Globais 2021” do Fórum Económico Mundial e da publicação da UNESCO “Educação no mundo da pós-Pandemia – Nove ideias para uma ação pública”, Margarida Mano referiu-se a possíveis avaliações de riscos, através de um Horizonte de Riscos Globais, que representavam uma linha temporal estimada para que os riscos representem uma ameaça global. No top 10 de riscos por probabilidade lá constavam a concentração do poder digital (6º lugar) e a desigualdade digital (7º). Quanto às nove ideias para ação pública na educação num mundo pós-Covid nos dois primeiros lugares constavam o Assumir e Educação como um Bem Comum e Expandir o Direito à Educação.

Depois de José Ricardo Coelho e João Dias da Silva mencionarem a necessidade de uma responsabilidade partilhada e os sérios problemas levantados pela internacionalização do digital, Margarida Mano respondeu a algumas questões relevantes colocadas pelos participantes. A ex-Ministra da Educação salientou que “este tempo da Pandemia não foi perdido, foi um tempo excecional” e que havia muita coisa mal na valorização do professor. A sua proposta foi muito clara: “É preciso muita gente à roda de uma mesa para fazermos caminho”. Pelo que João Dias da Silva concluiu: “Vamos continuar a trabalhar com quem representamos. E o caminho é onde todos possam partilhar os seus contributos”.

Reveja aqui a intervenção de Margarida Mano e leia a reportagem completa sobre este webinário na edição de abril de 2021 do JORNAL FNE.

 

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