FNE: Mais jovens procuram a docência, mas atrair não chega - é preciso formar, fixar e reter
24-8-2026
A Federação Nacional da Educação - FNE considera positivos os resultados da 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior 2026/2027 no que respeita à formação de futuros professores, mas alerta que o crescimento da procura não pode criar a ilusão de que o problema da falta de docentes está resolvido.
Os dados mostram que 1.302 estudantes foram colocados em licenciaturas em Educação Básica, mais 103 do que no ano anterior, o que representa um crescimento de 8,6%. Quando comparado com 2024, o aumento é ainda mais significativo: em apenas dois anos, o número de colocados passou de 997 para 1.302, crescendo 30,6%.
Para a FNE, estes números demonstram que há uma recuperação da capacidade de atração da profissão docente. Também é relevante que, apesar do aumento da oferta para 1.344 vagas, 96,9% dos lugares tenham ficado ocupados na primeira fase.
Contudo, a Federação sublinha que 1.302 estudantes de Educação Básica não significam 1.302 novos professores. A licenciatura não confere, isoladamente, habilitação profissional para a docência, sendo necessário prosseguir para os respetivos mestrados profissionalizantes. Entre o ingresso no ensino superior e a chegada efetiva às escolas existe, por isso, um percurso que importa acompanhar e no qual é essencial evitar perdas.
Esta realidade ganha especial importância quando confrontada com as necessidades futuras do sistema educativo. As projeções apontam para a necessidade de recrutar cerca de 38 mil novos docentes até 2034/2035, numa média próxima dos 3.800 por ano. Mais de 20.600 serão necessários apenas no 3.º ciclo e ensino secundário, precisamente os níveis em que é mais difícil antecipar, através dos atuais dados de ingresso, quantos estudantes chegarão efetivamente à profissão docente.
A análise realizada pela FNE identifica ainda importantes assimetrias territoriais e demonstra a necessidade de articular a formação inicial com as necessidades por grupo de recrutamento e por região. Não basta aumentar indiscriminadamente o número de vagas: é necessário saber quantos estudantes entram, quantos concluem a formação, quantos se profissionalizam, onde são necessários e quantos permanecem na profissão.
Neste contexto, a FNE defende a criação de um Observatório Nacional da Formação e Necessidades Docentes, capaz de cruzar permanentemente os dados das instituições de ensino superior, escolas e recrutamento docente e de antecipar, a cinco e dez anos, as necessidades do sistema educativo por grupo de recrutamento e território.
Mais jovens querem chegar à docência. Agora é preciso garantir que chegam às escolas e que ficam.
A recuperação da procura é uma oportunidade que o país não pode desperdiçar.
É necessário criar condições para que estes estudantes concluam a formação, ingressem nas escolas e encontrem uma profissão com estabilidade, condições de trabalho adequadas, valorização salarial e perspetivas de carreira que os levem a permanecer.
Atrair não chega. É preciso formar, fixar e reter. Só assim teremos os professores de que as escolas precisam hoje e precisarão no futuro.
Porto, 24 de agosto de 2026
A Comissão Executiva
Federação Nacional da Educação
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