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Dia Mundial dos Professores

5 de outubro: o que os dados da OCDE dizem sobre os professores em Portugal

5 de outubro assinala a implantação da república e o Dia Mundial dos Professores. Conheça a história desta data e os desafios da profissão docente.

O 5 de outubro tem um significado particular em Portugal. Foi neste dia, em 1910, que foi proclamada a República Portuguesa, na sequência da revolução que pôs fim à Monarquia Constitucional.
Mas o 5 de outubro é também o Dia Mundial dos Professores, celebrado internacionalmente desde 1994. A escolha da data está relacionada com um acontecimento anterior: a 5 de outubro de 1966, a UNESCO e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) adotaram a Recomendação relativa ao Estatuto dos Professores, um documento internacional que estabelece princípios sobre a formação, recrutamento, carreira, direitos e responsabilidades dos docentes e as suas condições de trabalho.
 
Assim, o 5 de outubro reúne no calendário português duas referências históricas diferentes. Uma ligada à implantação da República; outra ao reconhecimento internacional da profissão docente.
 
E é precisamente sobre essa profissão que vale a pena olhar para os dados mais recentes.

Quanto tempo trabalha, afinal, um professor?

Quando se fala do trabalho docente, é frequente olhar sobretudo para o tempo passado na sala de aula. Os dados do TALIS 2024, da OCDE, mostram uma realidade mais abrangente.
Os professores portugueses do ensino secundário inferior que trabalham a tempo inteiro indicam trabalhar, em média, 40,5 horas por semana.
Desse tempo, 19,8 horas são dedicadas ao ensino, enquanto 7,4 horas correspondem à preparação das aulas e 6,9 horas à correção e avaliação dos trabalhos dos alunos. Ou seja, uma parte significativa do trabalho docente acontece fora da sala de aula.
Planear uma aula, preparar materiais, avaliar aprendizagens, acompanhar alunos e responder às diferentes necessidades das turmas são tarefas que fazem parte da profissão, mas que nem sempre são visíveis quando se olha apenas para o horário letivo.

O trabalho administrativo é uma das principais fontes de stress

O TALIS 2024 permite também perceber quais são as principais fontes de stress identificadas pelos professores.
Em Portugal, 79% apontam o excesso de trabalho administrativo como uma fonte de stress no trabalho.
A mesma percentagem refere a responsabilização pelos resultados dos alunos, enquanto 77% identificam o excesso de trabalho de correção.
A preparação das aulas é também apontada por cerca de 63% dos professores como fonte de stress.
Estes números ajudam a perceber a complexidade da profissão: o trabalho docente envolve muito mais do que o momento em que o professor está perante os alunos.

Uma profissão exigente, mas com elevada satisfação profissional

Há, contudo, outro dado que merece atenção.
Apesar das exigências identificadas, 94% dos professores portugueses dizem estar satisfeitos com o seu trabalho em geral, acima da média de 89% registada nos países da OCDE. Ao mesmo tempo, 26% dizem sentir muito stress no trabalho, contra 19% na média da OCDE.
Os dois dados não são contraditórios.
Uma profissão pode proporcionar realização e sentido de missão e, simultaneamente, envolver níveis elevados de exigência e stress.
Esta é uma distinção importante quando se fala da profissão docente: reconhecer as dificuldades não significa ignorar a satisfação e o compromisso de quem a exerce.

O reconhecimento social não acompanha a satisfação profissional

Há, porém, uma diferença significativa entre a forma como os professores avaliam a sua própria profissão e a perceção que têm do reconhecimento que recebem da sociedade.
Apenas 9% dos professores portugueses consideram que a profissão docente é valorizada pela sociedade, face a 22% na média da OCDE.
E apenas 4,3% consideram que as opiniões dos professores são valorizadas pelos decisores políticos, enquanto a média da OCDE é de 16%.
Os dados são particularmente relevantes num momento em que se discute o futuro da profissão docente, a capacidade de atrair e reter professores e as condições necessárias para garantir uma Educação de qualidade.

Ensinar numa escola cada vez mais diversa

A realidade das escolas também exige dos professores capacidade de adaptação.
No TALIS 2024, 84% dos professores portugueses dizem sentir-se capazes de adaptar as tarefas de aprendizagem às necessidades dos alunos com necessidades educativas especiais. Mas esta capacidade profissional convive com uma exigência significativa: 63,8% referem a adaptação do ensino às necessidades destes alunos como uma fonte de stress.
Mais uma vez, os dados mostram duas dimensões da mesma realidade.
Os professores sentem-se preparados para responder à diversidade, mas reconhecem também o esforço que essa resposta implica.

O que os números não conseguem medir

Há, no entanto, uma dimensão da profissão que nenhuma estatística consegue traduzir completamente.
O momento em que um aluno finalmente compreende.
A palavra de incentivo dada no momento certo.
A atenção a um aluno que está a passar por uma dificuldade.
A aula que desperta uma vocação.
O professor que percebe uma capacidade antes de o próprio aluno a reconhecer.
São experiências difíceis de transformar em números, mas fazem parte do impacto da profissão docente.
É também por isso que, muitos anos depois de deixarmos uma escola, conseguimos lembrar-nos do nome de determinados professores, de uma frase que disseram ou da forma como nos fizeram sentir.

Duas datas, uma reflexão sobre a Educação

O 5 de outubro permite-nos olhar para a Educação a partir de duas referências históricas.
Em 1910, a Implantação da República marcou uma mudança profunda na história política portuguesa, pondo fim à Monarquia Constitucional.
 A recomendação relativa ao Estatuto dos Professores foi adotada em 5 de outubro de 1966 pela Conferência Intergovernamental Especial sobre o Estatuto dos Professores, convocada pela UNESCO em cooperação com a OIT, reconhecendo internacionalmente a importância das condições em que os docentes exercem a sua profissão.
Em 1994, celebrou-se pela primeira vez o Dia Mundial dos Professores.
São acontecimentos diferentes e sem uma relação histórica direta entre si. Mas a coincidência da data permite uma reflexão comum: o papel que a Educação, o conhecimento e os professores desempenham na construção das sociedades.
 
Neste Dia Mundial dos Professores, queremos ouvir quem aprendeu com eles
Há um professor de que ainda se lembra?
Pode ser alguém que lhe ensinou uma disciplina, que o incentivou num momento difícil, que despertou uma vocação ou que simplesmente deixou uma marca no seu percurso.
Se pudesse deixar hoje uma mensagem àquele professor que o marcou, o que lhe diria?
Partilhe a sua mensagem nas redes sociais do SPZC.
 
Porque os dados ajudam-nos a compreender a realidade da profissão.
Mas há coisas que só conseguimos medir através das memórias de quem passou pelas suas salas de aula.
 
5 de outubro | Dia Mundial dos Professores
A todos os professores e educadores, o nosso reconhecimento pelo trabalho que desenvolvem diariamente.
 
 
 
Fontes
OCDE (2025), Results from TALIS 2024 – Country Notes: Portugal — dados sobre tempo de trabalho, fontes de stress, satisfação profissional, reconhecimento social e condições de exercício da profissão.
 
OECD Education GPS – TALIS 2024, Portugal — dados detalhados sobre as respostas dos professores portugueses.
 
UNESCO, World Teachers' Day — informação sobre a origem e o enquadramento internacional do Dia Mundial dos Professores.
 
UNESCO/OIT, Recommendation concerning the Status of Teachers (1966) — Recomendação adotada em 5 de outubro de 1966.
 
Assembleia da República — informação histórica sobre a Implantação da República Portuguesa, em 5 de outubro de 1910.
 
 
 
 

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